Crítica | Babilônia – Brad Pitt e Margot Robbie Festejam Freneticamente em Novo Filme de Diretor de ‘Whiplash’

De vez em quando, Hollywood mexe em sua caixa-preta histórica e decide fazer um filme sobre si mesma. Às vezes, sai algo mais romantizado e melancólico como ‘La La Land’; às vezes, algo mais biográfico como o recente ‘Era Uma Vez em Hollywood’. E às vezes sai algo mais visceral e chocante como o recente ‘Babilônia’, que chega a partir dessa semana nas salas de cinema do país e que tem sido indicado a diversos dos principais prêmios cinematográficos.

Manuel (Diego Calva) é apenas um faz-tudo na festa da estrela de cinema Jack Conrad (Brad Pitt). Manny transporta elefantes para satisfazer o capricho do dono da mansão, serve bebidas e até mesmo se livra de corpos de convidados que se excederam demais. Numa dessas, ele conhece a estonteante Nellie LaRoy (Margot Robbie), uma atriz em busca de uma oportunidade e a quem deixa entrar na casa por sentir-se hipnotizado por ela, mesmo sem convite. Nessa noite em que tudo acontece, Nellie acaba se destacando por sua dança e consegue uma vaga para uma ponta em uma produção no dia seguinte. Ao mesmo tempo, Manuel cai nas graças do dono da festa, que o contrata como assistente pessoal. Assim, o mundo desses dois cinéfilos acaba se cruzando em um set de filmagem, mas nenhum dos dois poderia prever o quanto isso significa para a carreira de ambos.

Em mais de três horas de duração, ‘Babilônia’ é um frenesi total. Damien Chazelle escreve e dirige um filme vertiginoso, intenso, particular e altamente bombástico. Toda a sequência da cena da primeira festa é tão abismal, que é como se o próprio espectador estivesse dentro daquela bagunça toda – no bom e o mau sentido. Ao mesmo tempo que o filme retrata a chamada “era de ouro” de Hollywood, com toda sua ostentação e seu glamour, aos poucos vai mostrando, com o passar dos anos, o quanto essa indústria foi se modificando e, em pouco tempo, vai de uma libertinagem desenfreada para algo mais recatado e puritano, enquanto a própria técnica de filmagem alterna entre o filme mudo e o com som. Nesse turbilhão de sentimentos e de acontecimentos, os personagens desenvolvem suas jornadas pessoais, enfrentando desafios técnicos e emocionais que recortam o que se vivia entre as décadas de 1920 e 1930, como assédio sexual, objetificação de corpos, black face, xenofobia, etc. Um século se passou, fica a reflexão do quanto mudou.

Babilônia’ não é um filme para se ver de uma vez só, e também não é desses que se emite opinião logo em seguida. Como a adrenalina de uma droga, te leva do ápice à decadência em pouco tempo, deixando um sabor amargo na boca. Difícil até para escrever uma crítica; o certo mesmo seria tecer um artigo analisando o longa. 

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