Crítica | ‘Trem-bala’ – Cansativo Filme de Ação com Brad Pitt Entretém, mas Exagera

A metáfora da torta de limão é uma imagem semiótica que funciona muito bem para muitas produções hollywoodianas. A torta de limão tem como base, o limão. Leva leite condensado, açúcar e outros ingredientes; a casquinha de fora pode ser mais durinha ou mais esfarelada; em cima da torta, comumente se acrescenta merengue, suspiro tostado a fogo, granulado, açúcar de confeiteiro, farelo de biscoito, etc. Tudo isso é um grande enfeite mesmo do que realmente importa: a torta de limão. Esta, se não estiver boa, todos os enfeites colocados em cima tentam tão somente distrair a gente do fato de que o que realmente importa não é bom – e, no geral, as pessoas acabam se contentando com os enfeites. Metáfora feita, o mesmo pode ser visto no longa ‘Trem-bala’, que estreia essa semana nos cinemas.

Joaninha (Brad Pitt) é um assassino de aluguel em redenção contratado para pegar uma maleta com dinheiro em um trem-bala no Japão. Seria um trabalho simples, não fosse o fato de outros assassinos de aluguel estarem no mesmo trem, cada um com seu motivo diferentes, mas todos de olho na tal maleta de dinheiro. A contragosto, Joaninha terá que voltar a usar da força bruta para conseguir sair vivo do trem.

Com duas horas de duração, ‘Trem-bala’ é um filme de ação cansativo e cheio de efeitos para distrair o espectador do que realmente importa: a história, que é presunçoso. O elenco caro de rostos conhecidos – que inclui Joey King, Sandra Bullock, Bad Bunny, Logan Lerman, Channing Tatum, Ryan Reynolds, etc – parece competir entre si, todos interpretando o mesmo personagem soberbo, com ares de superior um contra o outro em todas as cenas, disfarçados por diálogos passivo-agressivos de humor quase sempre pouco inteligentes. A edição, ágil, é realmente primorosa, dá muito ritmo à história que se arrasta, e, em conjunto à equipe de efeitos especiais, formam realmente o que vale a pena neste filme.

Tecnicamente intenso e bem realizado, ‘Trem-bala’ se resume como um filme de história genérica, cujo original, japonês, supera em muito a leitura hollywoodiana. Pipocão vazio: entretém, mas é de fácil digestão.

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