Crítica| Riverdale – Sexta temporada perde o rumo e confirma desgaste da série

Séries adolescentes, muitas vezes, são consideradas sinônimos de sucesso garantido. Geralmente, é um estilo que conquista um público fiel, fazendo com que se identifiquem com os conflitos dos personagens, além de torcerem pelo seu casal favorito. Apesar da base ser a mesma, cada série do gênero possui suas características particulares, e com ‘Riverdale’ não poderia ser diferente. A série que mistura uma narrativa sombria com problemas comuns de adolescentes encerrou sua sexta temporada no final de julho.

Baseada nos quadrinhos da Archie Comics, a série apresenta Archie Andrews (KJ Apa), Betty Cooper (Lili Reinhart), Veronica Lodge (Camila Mendes), Jughead Jones (Cole Sprouse), Cheryl Blossom (Madelaine Petsch), Kevin Keller (Casey Cott), Reggie Mantle (Charles Melton), Toni Topaz (Vanessa Morgan) e seus amigos lidando com problemas típicos de adolescentes, enquanto investigam o assassinato de Jason Blossom (Trevor Stines). Enquanto tentam resolver o mistério, descobrem os sombrios segredos escondidos atrás da fachada pacífica da pequena cidade de Riverdale.  

Por cinco temporadas, a história se concentrou nos segredos obscuros da cidade, tendo uma explicação racional para todos os fatos ocorridos. Isso muda na sexta temporada, quando o público é apresentado a uma dimensão alternativa sobrenatural, que afeta o universo de Riverdale, a ponto dos protagonistas, já adultos, ganharem poderes para enfrentar um feiticeiro imortal que ameaça a cidade. Mesmo demonstrando sinais de desgaste a partir da quarta temporada, enquanto uma narrativa sobre adolescentes envolvidos com diversos crimes, a série trouxe uma boa proposta, trabalhando sonhos e inseguranças dos personagens em um mundo onde a cruel realidade estava presente em cada esquina. Mas, ao trazer uma temática sobrenatural, a história perde o rumo, desviando da sua proposta original.

Levando em consideração que a série é baseada nas histórias da Archie Comics, é natural que no mundo dos quadrinhos ocorra a introdução de temas fantásticos, ou qualquer assunto que a imaginação permitir, ao longo de sua narrativa. Isso também teria sido natural para a série se fosse apresentado antes e não num momento em que a produção já está caminhando para seu encerramento. A obra teve oportunidade de trazer o sobrenatural nas temporadas anteriores, mas mantive as explicações racionais, o que, em alguns casos, enfraqueceu a narrativa. Se a intenção inicial era seguir por esse caminho, a produção errou na forma e no momento de trabalhar a história, fazendo com que a sexta temporada tivesse uma mudança de ritmo brusca.

Apesar de um enredo confuso na sexta temporada, nem tudo foi negativo. A ideia de trazer discussões sobre dimensão alternativa e paradoxo temporal foi interessante. São os tipos de temas que atraem o público, deixando-o curioso. O problema foi o momento que escolheram para isso. A ideia de apresentar os personagens com os figurinos de suas histórias originais e alguns momentos da narrativa no formato de quadrinhos foi um ponto positivo. Além disso, a editora dos personagens de ‘Riverdale’ também detém os direitos de publicação de ‘O Mundo Sombrio de Sabrina’, o que permitiu um crossover com a série de mesmo nome, trazendo Sabrina Spellman (Kiernan Shipka) para uma nova aventura. Os fãs puderam matar a saudade da bruxinha e a obra trouxe uma explicação para o seu retorno, numa tentativa de consertar o final da produção da Sabrina, que também não foi dos melhores.

Riverdale’ possui uma proposta narrativa interessante e instigante, mas que se perdeu no decorrer das temporadas. Apesar de ter se aproximado dos seus quadrinhos de origem, se distanciou da proposta inicial da série. Com sua sétima temporada já confirmada como sendo a última, a série apresenta sinais intensos de desgaste e faz o público questionar se essa não deveria ter terminado com seus personagens se formando no ensino médio. Mesmo que fosse um final agridoce, teria mantido a essência da história.

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