Crítica | Morte no Nilo – Novo filme de Kenneth Branagh é encantador e fiel a obra de Agatha Christie

Histórias policiais sempre fizeram sucesso com o público. Os clássicos questionamentos “Quem matou?”, “Como foi?”, “Quando?” e “Por que?” atraem o espectador para o mundo instigante da investigação. As motivações dos criminosos podem ser das mais simplórias até o mais complicado nível de compreensão de suas intenções. E, até mesmo o clichê é algo que agrada nessas narrativas. Se bem apresentado, o enredo se desenvolve sozinho, sem precisar do esforço de reviravoltas surreais para conquistar a atenção do público. Assim é ‘Morte no Nilo’, adaptação do clássico literário escrito por Agatha Christie

Dirigido e protagonizado por Kenneth Branagh, a sequência de ‘Assassinato no Expresso do Oriente’ (2017) apresenta o detetive Hercule Poirot em um novo e misterioso crime. Agora, no barco Karvak pelas belas paisagens do Rio Nilo, o detetive se depara com o assassinato de Linnet Ridgeway (Gal Gadot), uma jovem e rica herdeira. Convidados para celebrarem a união da jovem com Simon Doyle (Armie Hammer), familiares e amigos possuem motivos para matá-la. Conforme as investigações avançam, novos assassinatos ocorrem com o objetivo de encobrir o crime original. Assim, Poirot deverá correr contra o tempo para encontrar o culpado e evitar mais mortes. 

A nova adaptação da obra da Rainha do Crime mantém a mesma fórmula de seu antecessor, alterando o seu ritmo de forma sutil. Enquanto em ‘Assassinato no Expresso do Oriente’, o crime ocorre em pouco tempo de filme e a investigação se desenvolve de forma mais demorada, ‘Morte no Nilo’ traz a apresentação e encontro dos personagens de forma lenta, aproximando-os do público antes da tragédia, e uma investigação mais dinâmica. Diante de inúmeras adaptações dos livros de Agatha Christie, Kenneth Branagh permaneceu fiel à narrativa, fazendo o público mergulhar nas páginas da obra, colocando-se no papel do detetive, tentando desvendar o crime antes da grande revelação final. 

O filme é encantador e hipnotizante, entregando um panorama das belíssimas paisagens na margem do Rio Nilo. Além disso, os ambientes internos possuem uma riqueza de detalhes que faz o público viajar no tempo, vivenciando o estilo da década de 1930. O elenco complementa o cenário, brilhando na pele de personagens carismáticos e intensos. De personalidades fortes, questionam e enfrentam os costumes, possuindo uma postura ousada para os padrões de comportamento da época, algo que se encaixou bem na narrativa.

Um dos grandes pontos positivos da adaptação foi a ideia de retornar um pouco mais no tempo, apresentando a juventude de Hercule Poirot e o início de sua excentricidade e solidão. Uma belíssima sequência em preto e branco que arrebata a atenção do espectador. O detetive conquista exatamente por seu comportamento extravagante, desenvolvido com maestria por Kenneth Branagh, que encontrou um ponto de equilíbrio entre o racional e o emocional do personagem. O caso serviu como um confronto com sua natureza inflexível, o que faz Poirot refletir sobre seu passado. Novas portas se abrem para o detetive, mas o questionamento sobre uma possível sequência permanece na cabeça do público.

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