Crítica | Benedetta – História Real de Freira do Séc XVII Foca nas Cenas de Sexo, Não na Consrução da História

Exibido no Festival de Cannes – e aplaudido pelos presentes – o longa ‘Benedetta’ estreia no circuito brasileiro com a proposta de trazer uma leitura da história baseada em eventos reais de uma freira (Virginie Efira) no Convento de Pescia do século XVII que ao mesmo tempo em que começou a desenvolver uma série de visões religiosas envolvendo Jesus e supostas mensagens dele para o povo da cidade, também começou a experimentar os desenvolvimentos carnais em uma relação sexual com uma companheira de quarto, Bartolomea (Daphne Patakia), numa época em que a Europa começava a ser assolada pela peste.

Ainda que a violência e o sexo sejam dois temas recorrentes na carreira do diretor Paul Verhoeven, que assina a produção, em ‘Benedetta’ o alinhamento entre ambos os elementos ficam tortuosa, ora faltando conexão, ora faltando aprofundamento. Já na primeira cena, quando a jovem Benedetta cai e derruba uma estátua da Virgem Maria em cima de si mesma (uma estátua, por sua vez, cujo um dos seios fica à mostra) e, do nada, já debaixo da estátua, a jovem simplesmente coloca a boca no seio da estátua. Por quê? Bom, isso fica por isso mesmo, até uns vinte anos depois, quando a protagonista salva Bartolomea e começa a desenvolver com ela uma relação esquisita – descrita como amorosa, mas que, tal como é retratado no longa, está mais para um assédio e abuso sexual que, depois de recorrentes vezes, acabou se tornando do agrado da abusada. Estranho.

Benedetta’ em nenhum momento duvida de sua fé – na sua religião, no seu Cristo e em si mesma. Esse é um mérito que o diretor pode levar em sua produção, que passeia entre o catolicismo extremo e o sacrilégio de maneira conflituosa sem distrair sua protagonista. Um filme para ter em melhor perspectiva como a imposição católica afetava diferentes aspectos sociais, para além dos muros da igreja.

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