Crítica | La Casa de Papel – Quinta temporada encerra ciclo em meio a desgastes e inovações

Quando ‘La Casa de Papel’ foi produzida pelo canal espanhol Antena 3, em 2017, como uma minissérie de 15 capítulos, ninguém poderia imaginar que esta se tornaria um sucesso mundial. Isso tudo ocorre quando a Netflix adquire os direitos globais de streaming, levando a produção para todos os continentes, apresentando ao público, não apenas a televisão espanhola, mas um vasto catálogo de séries europeias, rompendo o domínio das produções norte-americanas no mercado.

Assim, o público é apresentado a um grupo de assaltantes, que planejam roubar a Casa da Moeda da Espanha. Esses criminosos de macacão vermelho, máscaras de Salvador Dalí e com nomes de cidades, vivem à margem da sociedade, e apresentam seus olhares em relação ao sistema e o quanto este é injusto com o povo. Liderados pelo Professor (Álvaro Morte), Tóquio (Úrsula Corberó), Rio (Miguel Herrán), Berlim (Pedro Alonso), Denver (Jaime Lorente), Moscou (Paco Tous), Nairóbi (Alba Flores), Helsinque (Darko Perić) e Oslo (Roberto García Ruiz) conquistam os espectadores, que torcem para que os personagens saiam ilesos do louco plano. A série é narrada por Tóquio, e as duas primeiras temporadas foram feitas de forma esplendorosa e cativante.

Renovada pela Netflix, em 2019, a terceira temporada anunciou um novo assalto, criando expectativas e empolgação no público, além de uma série de questionamentos. Afinal, a “casa de papel” já havia sido roubada. Então, qual seria o local do novo golpe? E por que o grupo voltaria à ação? Todas as perguntas foram respondidas logo no primeiro episódio, onde, em meio a uma vida de diversão e conforto, Rio acaba sendo capturado e torturado pela Europol. Para resgatá-lo desse sistema corrupto, os Dalís voltam a ativa, invadindo o Banco da Espanha, com a intenção de roubar a reserva nacional. 

Com Palermo (Rodrigo de La Serna), Manila (Belén Cuesta) e Pamplona (Ahikar Azcona) reforçando o time, o novo golpe foi bem recebido pelo público. Porém, a quarta temporada, mesmo mantendo o nível de genialidade das anteriores, apresentou uma perda de fôlego. A fórmula, apesar do grande sucesso, demonstrou sinais de desgaste. Apesar dos momentos de dificuldade para os personagens, a Parte 4 não apresentou nada de novo para a narrativa. Era hora de finalizar o assalto, mas o plano pedia por mais uma temporada.

Lançada em 2021, a quinta e última temporada foi dividida em duas partes. Retomando o assalto ao Banco da Espanha, o público acompanha os momentos mais tensos do golpe. Perdas são sofridas e os ladrões se veem em um beco sem saída. Surpresas são inseridas na história, dificultando a vida dos personagens até o final, o que deixa o espectador aflito diante da televisão. Apesar disso, a Parte 5 mantém o mesmo ritmo de sua antecessora, ou seja, o desgaste da fórmula ainda está lá, o que faz com que a história fique cansativa. Mas, todo o cansaço e o assalto, extremamente, longo, são perdoados diante de um final genial, que mostra que o Professor ainda tem suas cartas na manga.

Apesar dos sinais de desgaste em sua fórmula, ‘La Casa de Papel’ traz uma conclusão digna das primeiras temporadas, demonstrando como o instinto humano de sobrevivência em um mundo capitalista está acima de questionamentos sobre certo e errado, bem e mal, mocinhos e vilões. Ou seja, o fator humano é essencial para o plano do Professor ser bem sucedido. A canção de resistência italiana e hino da série, ‘Bella Ciao’ foi cantada uma última vez, honrando o legado dos Dális. ‘La Casa de Papel’ chegou ao fim, mas a resistência continua viva. 

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: