Crítica | Falling: Ainda Há Tempo – Viggo Mortensen estreia na direção para lutar contra pai homofóbico

Desde que brilhou como o Rei dos Homens Aragorn em ‘O Senhor dos Anéis’, Viggo Mortensen nunca mais saiu dos radares cinematográficos. Vinte anos passados desde a estreia do blockbuster, o ator agora volta não só na frente das telinhas, mas também por detrás dela, estreando na direção do longa ‘Falling: Ainda Há Tempo’, que chega essa semana nos cinemas brasileiros.

A pedido do pai, Willis (Lance Henricksen) que está sofrendo de problemas de saúde e mentais, John (Viggo Mortensen) vai buscá-lo em sua fazenda e o traz para passar um tempo com ele na Califórnia, onde fará uma cirurgia de colón. Entretanto, o tempo que passam juntos é péssimo, pois Willis sempre foi um sujeito desprezível que fala o que quer, magoando as outras pessoas. Diante do dilema entre o dever filial e a própria saúde mental, John tentará acompanhar o pai nesse período sem com isso se permitir abalar.

Em duas horas de longa, o que o filme nos mostra é a dificuldade do amor progredir quando temos diante de nós pessoas extremamente difíceis de lidar, recheadas de todo tipo de fobia – homofobia, gordofobia, xenofobia – além do machismo patriarcal e do androcentrismo como direcionador da vida. O quadro se agrava ainda mais quando essa pessoa é alguém de nossa família, com quem temos algum laço emocional e/ou social, como o pai. Portanto, a motivação da viagem de Willis para a Califórnia se torna o de menos no longa: o que importa é a forma como ele trata o filho e as formas que seu filho constantemente encontra para não entrar em conflito direto com seu progenitor, apesar de frequentemente ser humilhado por ele.

Falling: Ainda Há Tempo’ é um filme impactante, que, se tivesse uma robusta campanha de marketing, poderia chegar às premiações de festivais. Traz o retrato de uma relação real e mais comum do que se imagina, como o próprio filme é dedicado.

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