Crítica| Os Irregulares de Baker Street – Nova adaptação de Sherlock Holmes traz narrativa instigante e original

Histórias policiais sempre estiveram presentes no imaginário das pessoas. O ar de mistério, a construção de uma cadeia de deduções, e a admiração pela inteligência do detetive e, em certos casos, do criminoso conquista a audiência nas mais variadas mídias. E, seja na literatura, no cinema ou na televisão, o raciocínio rápido de um detetive, em particular, sempre chama a atenção do público. Adaptar as narrativas do morador do 221B de Baker Street é ter em mãos uma obra promissora, e com a nova série da Netflix não seria diferente.

Dirigida por Tom Bidwell, ‘Os Irregulares de Baker Street’ conta a história de Beatrice (Thaddea Graham), Jessie (Darci Shaw), Spike (McKell David), Leo (Harrison Osterfield) e Billy (Jojo Macari), um grupo de jovens que tentam sobreviver nas ruas da Londres vitoriana. Enquanto tentam superar as dificuldades da vida, a gangue se encontra resolvendo crimes sobrenaturais para Sherlock Holmes (Henry Lloyd-Hughes) e o Dr. John Watson (Royce Pierreson). Conforme os casos ficam cada vez mais sombrios, os personagens devem se preparar para enfrentarem uma força que ameaça dizimar a humanidade. 

Uma boa adaptação de Sherlock Holmes pode trazer inúmeras mudanças na narrativa, contanto que mantenha a essência da história. E é isso que a série faz. Traz casos sobrenaturais, o estudo do ocultismo e um Sherlock mais desgostoso com a vida, mas sempre mantendo as características que marcaram o personagem ao longo das décadas, seja apresentando o seu jeito analítico, tocando seu violino ou fazendo uso de ópio. Além disso, as referências a casos já conhecidos trazem aconchego para os fãs mais atentos aos diálogos, como a citação a Jefferson Hope, crime solucionado pelo detetive em seu primeiro romance ‘Um Estudo em Vermelho’.

Apesar de ser baseado em personagens que já apareceram em algumas obras de Arthur Conan Doyle, a série trabalha o universo do detetive de forma original. A começar pelo protagonismo que está nas mãos dos jovens desgarrados que tentam sobreviver nas ruas marginalizadas de Londres. À medida que os episódios ocorrem, a figura do detetive mais famoso do mundo se torna tão misteriosa quanto os fenômenos sobrenaturais que rondam a Inglaterra. A realeza possui uma rápida participação, mas se torna desinteressante diante dos desafios que os irregulares precisam enfrentar.

Os Irregulares de Baker Street’ apresentam Sherlock Holmes a uma nova geração, e acalenta o coração dos fãs com uma trama instigante e crimes cada vez mais sombrios, num cenário longe de ser delicado e belo, como, geralmente, a Era Vitoriana é apresentada. É uma nova forma de olhar para a porta da 221B de Baker Street.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: