Crítica | Os Órfãos – Criaram o Terror Grunge!

Você provavelmente já ouviu falar do terror emo – aquele tipo de filme que promete botar medo na gente, mas, no final, é mais uma história dramática de amor que, bom, não deu tão certo assim. Exemplo disso é ‘Edward: Mãos de Tesoura’ ou mesmo ‘Crepúsculo’. A novidade é que este ‘Os Órfãos’, que estreia essa semana nos cinemas, traz uma nova categoria do gênero: o terror grunge! E nós temos como te provar isso!

            Baseado na novela ‘A Volta do Parafuso’, de Henry James, e originalmente publicada em 1898, a trama, em sua origem, fica um pouco desatualizada com a contemporaneidade: na história conhecemos Kate (Mackenzie Davis), uma jovem professora que é contratada para ser a nova tutora da pequena Flora (Brooklyn Prince), uma menina que vive sozinha em uma mansão enorme, cuidada pela macabra governanta da casa, a Sra. Grose (Barbara Marten). Ah, e ainda tem o irmão bizarrinho, Miles (Finn Wolfhard), que aparece de repente para chacoalhar a rotina. Kate acha que conseguiu o emprego dos sonhos, até se dar conta que Miles é um machistazinho egocêntrico e a casa é meio mal-assombrada.

            Até aí, parece só mais um enredo comum de um filminho de suspense de mansão endemoniada. Mas o grande diferencial de ‘Os Órfãos’ é ser um terror grunge.

            Logo na primeira cena vemos uma mão desligando uma televisão que dá a notícia da morte trágica de Kurt Cobain, o líder do Nirvana. O cantor se suicidara em 5 de abril de 1994. Kurt, para quem não conhece ou não lembra, foi o maior representante do gênero grunge do rock, mesmo não tendo inventado o som.

            Então, a diretora Floria Sigismondi, ao pensar em criar uma nova adaptação da novela de Henry James (uma versão anterior já havia sido realizada, estrelando Marlon Brando, contando a história prévia à apresentada em ‘Os Órfãos’), pensou no que poderia oferecer de inovador a uma fórmula já bastante explorada pelo cinema hollywoodiano, e encontrou: ao inserir a alma do grunge em ‘Os Órfãos’, Floria injeta toda a rebeldia e a raiva que o movimento jovem possuía.

            Tendo isso em mente, fica fácil encontrar quais são os elementos que referem ao Nirvana e ao grunge: a saia xadrez utilizada por Kate em uma cena; o fato de Miles ser baterista e guitarrista (e isso não acrescentar em nada à história); a câmera que foca no tênis de Miles, enquadrando-o tal qual uma capa de CD do Nirvana; a piscina vazia onde o trio fez sessão de fotos; o corte de cabelo e o enquadramento do rosto de Mackenzie Davis, que lembra Kurt Cobain e Courtney Love em muitas cenas; o trio professora e duas crianças, cuja (des)harmonia lembra muito a sintonia de Kurt, Dave Grohl e Krist Novoselic; a raiva descontrolada da juventude grunge, endereçada em Dave Grohl/Miles; o manequim bizarro que remete à capa do álbum ‘In Utero’; o vilão que também lembra Dave Grohl, só que adulto; a clássica capa ‘Nevermind’ aparece com frequência em diversas cenas da piscina/lago; e, por que não, também os finais alternativos, que um conduz ao trágico fim do próprio Kurt Cobain e o outro ao… bom, igualmente trágico fim de Courtney Love.

            Enquanto terror/suspense, o filme deixa muuuuito a desejar. Entretanto, assisti-lo com os olhos rebeldes do grunge torna ‘Os Órfãos’ uma experiência surpreendente e divertida.

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