Crítica| Sex Education – Segunda temporada traz personagens e temas mais maduros

         ‘Sex Education‘ é uma das séries mais elogiadas da Netflix. Criada por Laurie Nunn, a série britânica conta a história de Otis (Asa Butterfield), filho de uma terapeuta sexual que, baseado no que aprendeu com a mãe, decide ajudar os alunos do colégio Moordale. Apesar de toda a bagagem que tem sobre o assunto, Otis não possui experiência sexual. Em um ambiente em que os adolescentes estão descobrindo sua sexualidade e só falam sobre isso, o  protagonista se torna cada vez mais inseguro em relação a seus sentimentos.

            ‘Sex Education‘ possui uma fórmula de comédia dramática. As piadas trazem leveza ao enredo, tornando-se uma série agradável em assistir, mas apresenta debates para fazer o público refletir. A primeira temporada trata de ansiedade, homossexualidade e aborto, da forma mais sensível possível, humanizando os personagens e se afastando de estereótipos, que podem ser apresentados em séries e filmes sobre esses assuntos. Já a segunda temporada traz um novo fôlego à série, mas sem perder a sua essência. O humor está presente, talvez até mais do que na temporada anterior, mas os temas abordados também estão mais sérios.

            O segundo ano inicia com um surto de clamídia na escola, causado pela falta de informação sobre DSTs. Otis deve aprender a administrar suas descobertas sexuais, ao mesmo tempo em que precisa lidar com a presença de sua mãe na escola, chamada para ensinar aos alunos educação sexual. Já Eric (Ncuti Gatwa) é surpreendido pela chegada de um novo estudante, enquanto tenta compreender o que sente por Adam (Connor Swindells), um ex-aluno que praticava bullying, mas que também está passando por um processo de descoberta sexual. E Maeve (Emma Mackey) se esforça para voltar ao colégio e organizar sua vida, em meio ao retorno de sua mãe usuária de drogas.

            Na nova temporada, os personagens retornam mais seguros sobre os conflitos que encararam no ano anterior, porém novos desafios os aguardam. Além disso, suas narrativas estão mais individuais, permitindo que a história de cada personagem seja melhor explorada. Assuntos como assédio sexual, orientação sexual e doenças sexualmente transmissíveis são apresentados de forma sensível e didática, mostrando como é importante uma educação sexual para os jovens, e como a falta de informação pode causar histeria. Ao mesmo tempo que a série diverte, também instrui o público sobre assuntos que ainda podem ser considerados tabus pela sociedade.

            O final da temporada é um pouco agridoce e não agradou a todos os fãs. Mas foi um final digno da jornada dos adolescentes em seus conflitos emocionais. Além disso, foi necessário para dar um gatilho para uma terceira temporada, a qual aguardamos ansiosos pela confirmação da Netflix.

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