Crítica | Ameaça Profunda – Uma Releitura Moderna dos Mitos Gregos

Sabem aquela velha história de que o homem está sempre indo longe demais, mexendo onde não deve e provocando a Natureza? Bom, é exatamente este o mote de ‘Ameaça Profunda’, que chega essa semana nos cinemas.

            Norah (Kristen Stewart, em uma das suas melhores atuações, pois seu autocontrole em situações de espanto viera bem a calhar aqui) é uma engenheira mecânica que trabalha em na estação Kepler, um módulo subaquático de escavação a 11km de profundidade. O local, conhecido como estação 641, foi produzido pelas empresas TIAM e possui a broca mais profunda. Tudo isso para dizer que o grupo estava muito muito lá embaixo mesmo, quase no centro da Terra, onde provavelmente o ser humano não deveria chegar.

            Tá tudo muito bem lá no trabalho deles quando repentinamente são atingidos por alguma coisa, que afeta drasticamente a estação a ponto de destruí-la por completo. Passado o impacto inicial, Norah começa a buscar uma saída e acaba encontrando cinco outros companheiros sobreviventes. Seguindo as orientações do Capitão (Vincent Cassel, em participação especial), o grupo tenta se locomover a pé para a estação Brokebuck, a alguns quilômetros de distância. Só que, no meio do caminho, uma ‘Ameaça Profunda’ aparece para aterrorizar o grupo.

            O roteiro de Adam Cozad e Brian Duffield foca na construção da atmosfera de tensão e sufoco, pulando toda a “lenga-lenga” da introdução de uma atmosfera harmoniosa e até mesmo a explicação do “final feliz”: a história de ‘Ameaça Profunda’ se concentra na sobrevivência desse grupo nessa situação, não no antes nem no depois. Apesar disso, vale o recadinho aqui para a nova geração de espectadores: leiam as informações dadas no longa através das notícias do jornal, pois são elas que contextualizam a história.

            A história, em uma camada pouco evidente, faz uma releitura moderna da mitologia grega do clássico embate entre homens e Titãs em uma disputa territorial e/ou por algum grande achado protegido pelos semideuses e cobiçado pelos mortais.          

Apesar de realizar uma boa direção do longa, William Eubank desliza em situações desnecessárias, fazendo a câmera valorizar o corpo de Kristen Stewart, que passa muitas cenas só de calcinha e sutiã sem que isso acrescente em nada a história; fazendo a câmera focar no que a atriz está fazendo, de modo que a câmera consiga ter um ângulo em evidência da parte da frente ou de trás da cintura dela; permitindo que velhos clichês já tão evidentes nos dias de hoje voltem a ser usados (sobre quem morre primeiro, etc.)

            ‘Ameaça Profunda’ é um longa que faz você esquecer de respirar, pois é tenso o tempo todo (então, claustrofóbicos do meu Brasil, fica aqui o alerta). Sua proposta poderia facilmente ser adaptada para um jogo de videogame de sucesso.

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