Crítica | O Último Amor de Casanova – Quando o Galante Se Apaixona

O personagem Casanova faz parte do imaginário mundial como um dos grandes conquistadores de todos os tempos. Há relatos que afirmam que o burguês inclusive se envolveu não só com mulheres, mas também com homens. No final do século XIX, numa época em que a liberdade sexual não existia, um homem que não se preocupava com rótulos e buscava apenas o próprio prazer claramente acaba virando uma espécie de lenda, justamente por ultrapassar as regras convencionais.

            Em ‘O Último Amor de Casanova’ o personagem é retratado já mais velho, na faixa talvez dos sessenta anos, porém ainda com toda a sua virilidade. Entre uma alcova e outra – fornecido, inclusive, por uma rede de contatos onde os homens da alta sociedade conheciam e comentavam os apetites sexuais das damas – , ele conhece a enigmática Marianne de Charpillon (Stacy Martin, a melhor em cena), que chama sua atenção por apresentar um frescor e um desafio no olhar que Casanova (Vincent Lindon, moroso) nunca vira antes, e, tal como um caçador atrás da presa, ele segue Marianne até conseguir conhecê-la. Entretanto, Marianne não é boba, e obriga Casanova cortejá-la tal qual a uma dama da sociedade, e busca arrancar dele o status social que sua própria condição a impede.

            Apesar de ser uma história clássica, uma nova adaptação de Casanova parece fora de lugar, especialmente em tempos em que homens com a postura como a dele não encontram receptividade nas sociedades contemporâneas. Além disso, o grande trunfo do roteiro de ‘O Último Amor de Casanova’, escrito por Benoît JacquotGiacomo CasanovaChantal ThomasJérôme Beaujour, é construir uma história em que o lendário personagem de fato se apaixona por alguém, a ponto de noivar e abandonar a fama de garanhão – e esse ponto justamente mexe com o que o espectador tem como imaginário do personagem, o que torna a trama com improvável aceitação pelo público espectador.

            Para quem gosta de filmes clássicos, cults, ‘O Último Amor de Casanova’ traz um grande apelo visual: o figurino, construído com requinte, que contrasta sua beleza nas locações de tirar o fôlego escolhidas pelo diretor Benoît Jacquot. Mas o longa só deve atrair quem gosta desses gêneros de filme.

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