Crítica | Judy: Muito Além do Arco-Íris – O Injusto Resultado da Vida de Atriz de Hollywood

Em 1939, o filme ‘O Mágico de Oz’ fez um enorme sucesso no mundo inteiro, estrelado pela então jovem adolescente Judy Garland no papel principal da menina Dorothy. O carisma e talento da jovem atriz chamou a atenção dos espectadores, por sua candura e doce voz em cantar a icônica música tema, ‘Somewhere Over the Rainbown’. E chamou a atenção também dos magnatas de Hollywood, que viram nela um poço de lucros infindável.

            O longa ‘Judy: Muito Além do Arco-Íris’ busca traçar um retrato do último ano de vida de Judy Garland (interpretado com dedicação por Renée Zellweger), mostrando a decadência da vida desta que outrora fora um ícone e musa do cinema norte-americano. O roteiro de Tom Edge adapta a peça de teatro escrita por Peter Quilter, ‘End of the Rainbown’, e aponta a incapacidade de Judy em conseguir administrar a própria vida para além do impacto do sucesso. Por isso, o filme começa mostrando o quanto Judy não conseguia cuidar dos próprios filhos, sem dinheiro sequer para alimentá-los, sem residência fixa em Los Angeles. Ao mesmo tempo, delineia a resistência da atriz em voltar a entrar naquela persona que a fizera tão famosa, mas sobre quem tem tanta repulsa.

            Primeiramente, é preciso falar do deslumbrante trabalho da direção de arte, compondo cenário, figurino e maquiagem de maneira ora contrastante, ora complementar. Com ajuda da direção de fotografia, o diretor Rupert Goold alcança um belo resultado para ambientar seu filme.

            Também merece destaque, obviamente, o trabalho de Renée Zellweger em construir sua personagem de maneira que o espectador consegue sentir seu sofrimento durante todo o longa, com especial atenção às cenas de ataque de pânico, realmente angustiantes.

            O que ‘Judy: Muito Além do Arco-Íris’ busca retratar é o resultado injusto do que acontece com as atrizes de Hollywood depois que elas não são mais interessantes para a indústria. Judy, que trabalhou desde os 2 anos de idade, que dedicava cerca de 18 horas por dia ao trabalho, que tomava remédios para se manter acordada e que, por conta disso, sofria de insônia crônica, era simplesmente um fantoche nas mãos dos empresários, uma boa garota que obedecia todos os comandos e cuja infância e adolescência foram negadas. E o triste resultado é uma mulher talentosa que nunca conseguiu se livrar do personagem demandado pelo público, e, por isso, nunca conseguiu ser dona da própria vida.

            ‘Judy: Muito Além do Arco-Íris’ mostra o quanto as cores desse arco-íris eram opacas, não tão distante do caminho de pedras amarelas que muitas atrizes hoje precisam atravessar. Talvez o único porém do longa seja não ter construído melhor esse início da carreira de Judy, focando apenas na decadência da atriz; uma vez que o público que vai ao cinema hoje provavelmente não conhece Judy Garland (ou não sabe o que aconteceu com ela depois do ‘Mágico de Oz’), ficou faltando uma melhor construção desse início, para gerar empatia para o espectador.

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