Crítica | Uma Segunda Chance Para Amar – Será que Lou Clark foi feliz depois de ‘Como Eu Era Antes de Você’?

Lembram do final de ‘Como Eu Era Antes de Você’, quando Lou Clark passeia linda por Paris, desfrutando do presente que recebeu de Will Traynor? Pois bem, e se depois de um tempo a Lou se desse conta de que não consegue superar Will e, por alguma razão, também tivesse perdido toda a grana? Esse cenário totalmente possível é um diálogo provável com o longa ‘Uma Segunda Chance Para Amar’, que chega hoje aos cinemas.

            No filme, Kate (Emilia Clarke, que preenche a tela com seu carisma e sua luz natural) é uma moça completamente infeliz sem saber disso, pois não está satisfeita com seu trabalho (é atendente numa loja de artigos natalinos, onde se veste de elfo para atrair clientes), não consegue manter suas amizades por ser egoísta demais, tem um relacionamento péssimo com a família e troca de parceiros todas as noites porque não consegue se apegar e precisa de um novo lugar para dormir. Até que, subitamente, ela conhece o misterioso Tom (Henry Golding), que, de um jeitinho muito peculiar e parecido com o nosso Rafa Henriques aqui da Cabine Secreta, vai desconstruindo as barreiras que Kate construiu ao redor de si e mostrando que a vida vale a pena ser vivida quando preenchida diariamente por amor.

            Com diversos momentos surpreendentes e um final inesperado, o roteiro inacreditável de Bryony Kimmings e da atriz Emma Thompson encontra espaço ainda para debater a questão do racismo cultural, o medo que os países europeus enfrenta ao ter que lidar com os imigrantes dos países em conflito, e levanta a busca da identidade perdida, seja ao levantar a ancestralidade iugoslava de Kate e sua família, seja por essa perdição e reencontro da protagonista consigo mesma. Sem contar que o roteiro é baseado na canção ‘Last Christmas’, do cantor George Michael, que realmente conduz a trama, e ainda conta com ‘Freedom’, ‘Faith’ e uma trilha sonora festiva que eleva o espírito do espectador.

            Ao levantar o ponto de que “ser especial é superestimado”, ‘Uma Segunda Chance Para Amar’ debate o fato de que nos agarramos à possibilidade de que ser herói é realizar grandes feitos, mas não nos atentamos ao dia a dia, às pequenas coisas e os pequenos gestos que podemos fazer diariamente para melhorar a vida das pessoas. Neste quesito, a direção de Paul Feig completa a magia do Natal, trazendo ao espectador um filme agradável, inspirador, divertido e cheio de sentimento bom. A um mês do Natal, ‘Uma Segunda Chance Para Amar’ é um filme maravilhoso para abrir a temporada natalina nos cinemas e nos nossos corações.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: