Crítica | A Família Addams – Wandinha É Destaque Na Versão Animada da Família Sombria

            Era uma vez, na década de 1930, um cartunista chamado Charles Addams, que fazia desenhos de pessoas para os obituários de um jornal. Desde então, seus traços foram ganhando cada vez mais fama, culminando, por fim, na famosa adaptação cinematográfica de 1991, com Anjelica Huston, Raúl Julia, Christopher Lloyd e Christina Ricci nos papeis principais. Agora, em 2019, a famosa turminha ganha uma versão animada pela Universal Studios, com vozes originais de Charlize Theron e Snoop Dog e que na versão brasileira ganhou a voz de Guilherme Briggs como Tropeço.

            A nova animação ganha traços bastante líquidos e angulados, uma característica típica dos estúdios Illumination, responsável pelos sucessos ‘Meu Malvado Favorito’ e ‘Minions’. A desenvoltura dos personagens é maleável, com formatos cabeçudos e bundudos, quase sempre em contraste com personagens masculinos mais atarracados. Porém, o que por vezes é positivo dentro das produções desse estúdio, a longo prazo está se tornando algo chatinho, que é a constância de sempre haver um personagem que se assemelhe ao Gru e outro ao Minion (é o caso do Primo It neste). Podia ser bacana, em casos como a Família Addams – que tem personagens tão característicos – que essas referências ficassem de lado e a consistência desses personagens fosse preservada.

O início do longa é bastante moroso, contando como Morticia e Gomez se casaram e foram morar na mansão assombrada. A primeira meia hora de filme é uma mistura de temas que não se desenvolvem bem até sua conclusão, o que é uma pena. Talvez se o roteiro de Matt Lieberman e Pamela Pettler tivesse focado em uma temática, em vez de apresentar todo mundo visando um universo ainda não construído, a história se desenvolvesse melhor e o resultado fosse mais positivo, posto que mais centrado.

Porém, em ‘A Família Addams’, o único personagem realmente carismático (embora esta não seja bem a palavra) é a Wandinha, com seu pessimismo constante e contrastante contínuo, arrancando risos sinceros da plateia. Seu drama pessoal ocorre por ela estar entrando na adolescência, e, consequentemente, querer desafiar as normas familiares e se expandir para o mundo. De todas as tramas apresentadas pelo longa, é a que mais funciona.

No geral, ‘A Família Addams’ é um filme bacaninha, mas que tinha potencial para muito mais – posto a quantidade de fãs que tem no mundo inteiro e a bela história por trás dos horripilantes personagens. Considerando que a Illumination já anunciou estar trabalhando numa sequência, vamos esperar que o próximo filme seja mais respeitoso com a história e com o público, que é mais adulto e busca um enredo coeso e sincero. Enquanto o novo longa não estreia, vale ouvir a trilha sonora dessa animação, que conta com músicas variadas que perpassam desde os ritmos latinos, aos temas russos e ao hip hop.

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