Crítica | Mulheres Armadas, Homens na Lata – Surpreendente Comédia Dramática a la Tarantino

Na mesma semana em que o novo filme de Tarantino chega aos cinemas, o francês ‘Mulheres Armadas, Homens na Lata’ também estreia nas telonas. A referência não é gratuita: o longa de Allan Mauduit certamente se inspira no estilo do diretor norte-americano, com bem menos sangue, porém a mesma reviravolta à base de tiroteio. Para os fãs do gênero, é uma ótima surpresa!

            Tudo começa quando Sandra (Cécile de France, que é a cara da Gisele Bünchen) volta para a casa da mãe, em Bolonha Sobre o Mar, uma cidadezinha pequenina na França. Ex-modelo, ex-Miss, com mais de 40 anos e sem perspectiva de vida, Sandra tem que voltar à sua cidade natal, sem emprego. Só que como não tem experiência em nada, acaba topando um emprego numa fábrica de sardinha, colocando os peixes nas latas para serem processados. Um dia, o novo patrão, Jean-Mi (Patrick Ridremont) tenta abusar sexualmente de Sandra e, ao se defender, um acidente acontece. Para dar conta da confusão em que se meteu, Nadine (Yolande Moreau) e Marilyn (Audrey Lamy) vão em seu socorro, e, juntas, encontram uma mala cheia de euros. Assim, a confusão, que já não era pouca, aumenta proporcionalmente.

            Com um enredo simples que se contorce em situações possíveis e inacreditáveis, o filme vai se espiralando em uma sequência de cenas que dão a impressão que o buraco que as protagonistas cavaram fica cada vez mais fundo. Isso é mérito do diretor e roteirista, Allan Mauduit, que, com uma história simples e baixo orçamento, conseguiu elaborar um longa que se baseia numa boa trama e em boas interpretações, que flertam não só com o final rocambolesco do Tarantino, mas também com flertes dos Irmãos Coen (pelo humor ácido e situações inacreditáveis) e o empoderamento que só filmes como ‘Thelma & Louise’ conseguiram trazer. É desses filmes que faz a gente sorrir e sentir nervoso ao mesmo tempo.

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