Crítica | ‘Tolkien’ – O Início de uma Biografia

Por trás de sucessos como ‘O Hobbit’ e ‘O Senhor dos Anéis’ existiu um homem cuja imaginação infinita possibilitou criar não só o universo da Terra Média, mas toda uma língua nova, falada pelos elfos. Por trás disso tudo existiu um homem que atendia pelo nome de John Ronald Reuel Tolkien, mais conhecido por J.R.R. Tolkien, cuja biografia chega agora aos cinemas pela primeira vez no filme intitulado simplesmente de ‘Tolkien’.

            O longa de Dome Karukoski trás a vida de Tolkien desde a terna infância, mostrando a influência que sua mãe teve no estímulo da imaginação do menino e o quanto a morte dela transformou seu mundo, uma vez que ele e o irmão tiveram que ir morar na casa de uma espécie de acolhedora – a mulher não exatamente adota crianças, apenas as acolhe e as cria em sua casa. Nesta nova residência, os dois convivem com Edith, que mais tarde se tornaria o grande amor do escritor.

Nicholas Houl entrega uma atuação bastante contida no papel principal; apesar dos relatos biográficos apontarem uma personalidade tímida do escritor (a mais recente biografia no Brasil foi lançada pela editora Harper Collins), o galã de ‘Mad Max’ consegue manter a mesma expressão para todos os momentos, e a falta de carisma cria uma barreira para o fã, que busca se apegar ao personagem mas se sente afastado por conta da atuação de Nicholas, embora o resto do elenco esteja bastante bem, com destaque para a bela Lily Collins, que faz a Edith mais adulta.

O roteiro de David Gleeson e Stephen Beresford concentra todo o foco na juventude e no início da vida adulta de Tolkien, jogando bastante luz no quanto a amizade dele com os seus três fiéis amigos – Geoffrey (Anthony Boyle), Christopher (Tom Glynn-Carney) e Robert (Patrick Gibson) – influenciaram não só seu estilo de vida, mas também ajudou a moldar a base do que mais tarde viria a ser a Sociedade do Anel, com os quatro hobbits aventureiros atravessando a Terra Média. Todo esse passado de Tolkien é intercalado com cenas do seu momento atual, no meio da II Guerra Mundial (que ele de fato participou, no exército britânico), em que o personagem fica se lembrando desses momentos de outrora enquanto está encarando a morte derradeira.

Enquanto cinebiografia, ‘Tolkien’ é uma cuidadosa produção que se preocupou em se aproximar dos fatos reais da biografia do autor, jogando luz sobre um período fundamental para a escrita de nosso universo fantástico favorito, porém, enquanto produto direcionado para os fãs, ficou faltando evidenciar a relação dos fatos vistos com aquilo que mais tarde viraria fantasia élfica. Considerando que o público alvo desse filme é justamente os inúmeros fãs de Senhor dos Anéis, pouco é apresentado dos elementos da Terra Média, além do filme terminar justamente quando Tolkien já está casado e com filhos – e, consequentemente, não contar sobre eventos fundamentais para a elaboração do ‘Hobbit’, que é a relação de Tolkien com seu filho, Christopher, ou sobre a amizade sólida que o escritor das ‘Crônicas de Nárnia’, C.S. Lewis, dois dos fatos mais conhecidos dentre os fãs.

Curiosamente, porém, o filme termina justamente como se inicia todos os longas do universo da Terra Média: com alguém (no caso, o próprio Tolkien) iniciando a redação de ‘O Hobbit’, com as mesmas palavras.

Enquanto cinebiografia, ‘Tolkien’ é um ótimo filme, bem produzido e com uma direção de arte primorosa. Só ficou o gostinho de quero mais, de talvez transformar esse argumento em uma série ou em mais filmes, que continuem a contar o resto da história. Tomara que role!

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