Crítica | ‘O Gênio e o Louco’ – A Incrível História Do Cara Que Fez O Primeiro Dicionário

De vez em quando na História da Humanidade os seres humanos se deparam com um gênio que supera em todos os aspectos os outros cidadãos. De início é difícil reconhecê-los, porém, aos poucos eles vão sendo identificados, julgados como loucos, para somente anos depois, quando têm seus trabalhos estudados e analisados, é que são reconhecidos pela sociedade.

            É este o ensinamento que levamos deste ‘O Gênio e o Louco’, que chega agora aos cinemas com um elenco estelar. A história começa com um clima meio Baker Street no ano de 1928, na Inglaterra. James Murray (Mel Gibson) é convocado para uma reunião na qual consegue um trabalho dificílimo: detectar, analisar e registrar toda e qualquer palavra do vocabulário inglês, para criar o primeiro Dicionário completo da Língua Inglesa, da Universidade de Oxford.

            O trabalho hercúleo ganha novo gás quando o Dr. W.C. Minor (Sean Penn) entra pro projeto, contribuindo sozinho com mais verbetes do que toda a equipe do Sr. Murray. Agradecido e intrigado pela velocidade de trabalho do seu voluntário, Sr. Murray decide visitá-lo em seu endereço, e descobre que o Doutor é, na verdade, um paciente prisioneiro no Broadmoor Asylum, onde cumpre pena por ter assassinado o marido da Sra. Eliza Merrett (Natalie Dormer, a Margaery Tyrell de Game of Thrones).

            Ao ler esta sinopse, parece inacreditável que o filme seja baseado numa história real, mas é. E por isso devemos pensar que não fosse a dedicação incansável de pessoas como essas, que literalmente dispuseram de suas vidas em nome do legado para a humanidade, talvez hoje não teríamos avançado tanto com pesquisas de filologia e de línguas.

            ‘O Gênio e o Louco’ retrata a improvável amizade entre dois indivíduos que se encontram em pontas extremas e distantes da sociedade, mas que, por conta do destino, se unem em torno de um projeto no qual acreditam. Mel Gibson está ótimo como um sujeito focado porém contido pelas amarras sociais. Natalie Dormer apresenta uma viúva cujo personagem vai sendo construído e desconstruído ao longo da trama, mas o destaque mesmo é Sean Penn, em uma atuação impecável que nos faz lembrar sua indicação ao Oscar por ‘Uma Lição de Amor’ e ‘Os Últimos Passos de Um Homem’.

            O filme, embora de delongue em alguns momentos, vale cada minuto na sala de cinema, e nos deixa a reflexão sobre quantas histórias fabulosas de gênios incríveis não estão perdidas por aí. Ao menos esta ganhou as telonas, e é uma bela homenagem aos grandes pesquisadores da era moderna.

Foto: Imagem Filmes

Foto: Imagem Filmes

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