Crítica | ‘Sobibor’ – A Realidade Incrível e Cruel de um Campo de Concentração Nazista

Quase cem anos se passaram desde o início da Segunda Guerra Mundial, mas até hoje as histórias inacreditáveis dos sobreviventes ainda surgem por entre as brechas da História. É o caso desta que originou o filme ‘Sobibor’, que chega nesse dia 18 de abril nos cinemas. Sobibór é o nome de um campo de concentração russo, onde ocorreu – de verdade – uma revolta entre os que ali estavam encarcerados.

            O filme começa com um trem chegando ao campo de concentração, e centenas de judeus desembarcam. Primeiramente o foco recai sobre dois amigos joalheiros e a esposa de um deles, que é levada para tomar banho junto com outras mulheres, porém, na verdade, é uma câmara de gás.

            A direção de Konstantin Khabenskiy conduz bem as dezenas de histórias dos personagens, porém o roteiro peca em não centrar o filme em um único personagem. Alternando entre os diversos nomes que participaram da rebelião, o espectador fica impossibilitado de criar empatia por eles, pois mal uma história se aprofunda, logo a câmera muda o foco e joga luz em outro grupo.

            Mas o deslize não é suficiente para ofuscar a abordagem dramática deste que foi o representante da Rússia para o Oscar 2019. Com a sutileza de um rinoceronte, o filme não poupa esforços em mostrar os requintes da humilhação, da crueldade e da malvadeza alemã, por vezes disfarçada de boas intenções, quase sempre revestida de mais perversidade. Por isso a fala de um dos personagens resume o sentimento de um século: “nós temos apenas que suportar”.

            Nesses dias obscuros, um filme como ‘Sobibor’ nos faz lembrar dos tempos sombrios de ontem que voltam a pairar nos dias de hoje. Nos faz perceber que o passado não está resolvido, e que os sobreviventes desses episódios ainda estão entre nós – como Slomo, que veio se refugiar no Brasil, e faleceu aos 89 anos.

            ‘Sobibor’ é um filme obscuro, terrível e necessário. Recomendado para debates em escolas e faculdades.

Foto: Mares Filmes

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